Coronavírus na Alemanha e porque você não deveria levar a pandemia na brincadeira

A gente não ia falar de Coronavirus, porque não somos profissionais da saúde ou cientistas e até então não víamos motivo para tocar no assunto, já que não teríamos necessariamente algo a agregar.

Agora que a situação mudou muito rapidamente e drasticamente em vários aspectos aqui na Alemanha e o vírus vai chegando com tudo no Brasil percebemos que é a hora de compartilhar com vocês o que vem acontecendo por aqui. Esse vídeo é uma forma de alerta para aqueles que ainda não entenderam a gravidade do momento em que vivemos.

Se fossemos falar de Coronavirus uma semana ou 10 dias atrás, nós mesmos teríamos outro discurso, pois não havíamos entendido bem o motivo para preocupação. Afinal, somos jovens e saudáveis e, portanto, não estamos na faixa de risco de morte por conta do vírus.

Infelizmente esse nosso pensamento além de egoísta, é também desinformado em vários aspectos. Agora, para que você não precise passar a mesma vergonha que a gente, já começamos aqui com informações para você entender rapidamente o tamanho do problema.

A Alemanha tem atualmente pouco mais de 80  milhões de habitantes e o governo acredita que pelo menos média de 70% dessas pessoas podem ser infectadas pelo COVID19. Usando cálculos simples descobrimos que 70% da população alemã são 56 milhões de pessoas. Se utilizarmos como base as estatísticas italianas com relação à epidemia por lá, podemos prever que 5% dos infectados ficarão em estado grave e necessitarão de tratamento intensivo em leitos de UTI com respiradores mecânicos.

Seguindo essas tendências, a Alemanha pode ter um total de 2,8 milhões de pessoas necessitando tratamento intensivo em UTI. E é aí que vem o tamanho do problemão que temos em mãos no momento: a Alemanha dispõe de apenas 28 mil leitos de UTI equipados com respiradores. Ou seja, temos capacidade para atender apenas 1% dos potenciais infectados.

Para você aí no Brasil que ainda não está levando a sério o problema, repetindo o mesmo cálculo para a população brasileira, temos um potencial de 7,3 milhões de pessoas precisando de UTI, enquanto atualmente o Brasil dispõe de apenas 40 mil leitos desse tipo. Ou seja, no momento o Brasil tem capacidade para atender menos de 1% dos potenciais infectados.

E esse é o tamanho do problema.

É exatamente por isso que é necessário desacelerar a epidemia o quanto antes, para evitar que todos fiquem doentes ao mesmo tempo e não haja leitos ou profissionais para ajudar as pessoas em situação de risco. O Prof. Dr. Christian Drosten, responsável pelo instituto de virologia do Hospital Charité em Berlim declarou que em média, uma pessoa contaminada pode passar o vírus para outras três pessoas. E esse é o tamanho do problema.

Não precisamos de pânico no momento, precisamos de consciência, respeito pelo próximo e um pacto coletivo de saúde para garantir que todos tenham acesso ao hospital quando necessário.

Apesar da gravidade do problema, felizmente de modo geral aqui na Alemanha o clima não é de pânico, mas muito tem sido feito para desacelerar o processo de disseminação da doença, pois finalmente vai caindo a ficha que se não tomarmos atitudes drásticas agora mesmo, será tarde demais e chegaremos no nível de desastre da Itália. 

Nos últimos dias a Angela Merkel, o presidente Steinmeier e o Ministro da saúde da Alemanha vieram a público justamente pedir que ninguém entre em pânico, mas que evitemos contatos sociais e que fiquemos em casa sempre que possível.

Desde sexta-feira (13/03/2020), estão surgindo muitas novas regras na tentativa de frear a propagação do vírus e a situação vai mudando com uma frequência tão grande, que muito do que valia na sexta já não vale mais hoje, dia 16/03,  enquanto escrevo este texto. Justamente por isso recomendo que você cheque diariamente os sites oficiais para saber ter atualizações precisa sobre a situação. Uma ótima fonte, por exemplo, é o Ministério da Saúde da Alemanha ou o órgão oficial do turismo em Berlim.

No instante em que preparamos este material, vivemos um momento em que não há nenhuma ordem oficial exigindo que as pessoas permaneçam em casa, mas a recomendação é evitar ao máximo saídas desnecessárias e interações sociais desnecessárias. Exatamente por isso, todos eventos públicos e privados com mais de 50 pessoas foram proibidos. Museus, instituições culturais, bibliotecas, casas de concertos, cinemas, serviços religiosos, baladas, bares, academias e bordéis deverão permanecer fechados até segunda ordem. Aqui em Berlim praticamente todos museus e atrações turísticas deverão permanecer fechados até pelo menos dia 19/04/2020 e o Carnaval das Culturas e o Myfest, que são alguns dos maiores eventos do verão berlinense, já foram cancelados.

As lojas em geral ainda estão abertas e restaurantes em Berlim ainda podem abrir as portas desde que respeitem uma distância de 1,5 metros entre as mesas. Em outros lugares da Alemanha já existem ordens para restaurantes apenas prepararem refeições para entrega ou retirada no local. Apesar de tudo isso, o ministro da saúde Jens Spahn afirmou que supermercados, farmácias, bancos e postos de gasolina devem permanecer abertos.

Desde as 8 horas da manhã de hoje (16/03) as fronteiras por terra da Alemanha com a Dinamarca, Luxemburgo, França, Áustria e Suíça estão fechadas, mas até o momento os aeroportos funcionam em relativa normalidade assim como o transporte público de Berlim.

A frequência do metrô está mais baixa por aqui e todos os ônibus estão com as portas da frente fechada para a segurança dos motoristas, o que significa que agora é necessário comprar previamente os tickets online ou nas máquinas de ticket nas estações de metrô e não mais diretamente ao entrar nos ônibus.

Mas a ação mais grandiosa na prevenção do vírus foi o cancelamento das aulas na Alemanha. De hoje até depois da Páscoa todas as aulas estão suspensas no país, o que possivelmente fará com que as empresas liberem os pais para trabalhar de casa e cuidar de seus filhos, facilitando assim uma espécie de quarentena coletiva.

Com tudo isso, você pode estar se perguntando “devo cancelar minha viagem para a Alemanha?”. Esta é realmente a pergunta que mais recebemos na última semana.

Sendo totalmente honesta aqui: eu não viajaria e de fato não viajarei. Nós cancelamos nossa viagem para a França na semana que vem porque não é prudente viajar durante uma pandemia.

Além de tudo estar fechado e em clima de crise total, existe o clima de insegurança. As fronteiras tem fechado do dia pra noite e os transportes tem sido cancelados de uma hora pra outra. Viajar durante um evento desses é se expor a perrengues desnecessários e, o pior de tudo, é fazer parte do problema. Durante uma viagem você pode ser contaminado e contaminar outras pessoas por aí, levando o vírus para lá e para cá.

Se eu fosse você eu cancelaria sim minha viagem independente do destino. Se você puder, altere a data para o segundo semestre de 2020.

Se a sua viagem era para a Europa, agora mesmo a Comissão Européia decidiu por você anunciando que estrangeiros não poderão entrar em 31 países do continente, por pelo menos 1 mês.

Com o entendimento de que “evitar que eu fique doente, evita que outras pessoas como idosos e pessoas de saúde frágil também fiquem doentes e possivelmente morram”, devemos fazer o possível para não fazer parte do problema, mesmo que isso signifique sacrificar nossas férias.

Caso você ainda não esteja se convencendo de que precisamos proteger aqueles de saúde frágil, ou caso você realmente não se importe com o próximo, vale lembrar que na Itália, por exemplo, as coisas saíram de controle e tem mais gente doente do que o sistema de saúde deles consegue comportar. Isso significa que cirurgias eletivas foram canceladas e as vezes pessoas chegando com outras emergências não conseguem ser atendidas. Você aí que é jovem e saudável pode se acidentar de carro e não conseguir um leito já que todos estão ocupados por pacientes com COVID19. Você aí esperando bebê pode ter o mesmo problema na hora do parto e assim por diante.

Isso não significa que é hora de entrar em pânico. Pânico não ajuda em absolutamente nada, apenas atrapalha.

Agora é hora de ter respeito. Respeito pelos mais velhos e pelas pessoas de saúde frágil que precisam da nossa ajuda para não morrer. Respeito pelos profissionais da saúde e de serviços emergenciais que estão trabalhando duro para conter esse problemão. Respeito pelos pesquisadores que vão nos ajudar a enfrentar isso com vacinas e tratamentos, como as brasileiras que até já sequenciaram o genoma do vírus. E claro, respeito pelo sistema de saúde, que deve ser preservado. Agora mais do que nunca o SUS vai ser a salvação do brasileiro.

E claro, para nós que já estamos vivendo há semanas o caos das compras de pânico no supermercado, vale o conselho: tenha respeito e bom senso durante suas compras. Não há necessidade de estocar toda comida e papel higiênico que você vê pela frente.

É indicado ter mantimentos para pelo menos 15 dias caso você fique impedido de sair de casa, mas bora pensar no próximo: não esqueça de quem não tem dinheiro para compras enormes no supermercado. Essas pessoas não podem estocar comida e precisam ter acesso a mantimentos também.

Em resumo

Esse é um momento para pensar no coletivo. Evite viagens, fique em casa sempre que possível, lave bem as mãos e não entre em pânico.

Caso você esteja em Berlim e apresente sintomas da doença ou esteve em contato com alguém contaminado, não vá ao médico presencialmente. Ligue para a hotline: 030 90 28 28 28

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